Regulamento da Fifa proíbe que Rafinha troque a seleção brasileira pela alemã

“Maravilha poder voltar a servir a Seleção Brasileira! Feliz demais com essa convocação”.  A alegria de Rafinha ao receber a notícia de que tinha sido chamado por Dunga para disputar as Eliminatórias contrasta com o anúncio feito nesta terça, apenas cinco dias depois.

 

A CBF cancelou a convocação do lateral do Bayern de Munique. Rafinha solicitou a sua liberação, já que está próximo de obter a cidadania alemã. “Não venho sendo chamado regularmente, não sou uma das principais opções em minha posição, considerando que há outros profissionais na minha frente”, justificou.

 

A nota não diz claramente, mas dá a entender que o motivo da desistência seria a intenção de atuar pela seleção da Alemanha. Mas, segundo as regras da Fifa, ele não poderá fazer isso.

 

Rafinha disputou apenas três jogos pela seleção brasileira, nenhum deles oficial: entrou em campo nos amistosos contra Cingapura e Vietnã, em 2008, além de ser titular no confronto com a África do Sul em março de 2014. Pelas regras da Fifa, um atleta pode trocar de seleção se tiver disputado apenas amistosos com seu outro país.

 

Mas há um detalhe no regulamento, que torna o lateral inelegível mesmo assim. O problema é sua passagem pelas seleções de base, e o fato de só estar se tornando cidadão alemão agora.

 

Conforme o oitavo artigo da Fifa sobre a elegibilidade em partidas internacionais, um jogador que adquire nova nacionalidade pode requisitar a mudança de seleção desde que “não tenha jogado uma partida (completa ou parcial) em uma competição oficial no nível A de sua atual associação e, em sua primeira aparição parcial ou completa em uma partida internacional em competições oficiais por sua atual associação, ele já tivesse a nacionalidade da seleção pela qual ele deseja jogar”.

 

Simplificando, Rafinha de fato nunca atuou em uma competição oficial no nível A do Brasil (Copa América, Copa das Confederações e Copa do Mundo).

 

Entretanto, disputou o Sul-Americano e o Mundial pela seleção sub-20 em 2005, além das Olimpíadas de 2008. Ou seja, fez a sua primeira aparição em competições oficiais (independente da categoria) quando ainda não tinha a cidadania alemã.

 

O caso é similar ao do volante Fernando, atualmente no Manchester City. Quando estava no Porto, o goiano vislumbrava atuar na seleção portuguesa após adquirir a cidadania do país. Porém, acabou barrado pela Fifa.

 

Ainda que não tivesse atuado em competições oficiais pela seleção principal do Brasil, o meio-campista fez parte da campanha do Sul-Americano Sub-20 de 2007, quando ainda não tinha a nacionalidade portuguesa.

 

Os dois casos são diferentes do que aconteceu com Diego Costa, que já tinha atuado pela seleção brasileira em amistosos, mas não em torneios oficiais pelo elenco principal ou pelas equipes de base. Por isso, pôde defender a Espanha, mesmo obtendo a nacionalidade espanhola depois de defender o Brasil.

 

Também é diferente de Thiago Motta, que havia atuado pela seleção brasileira na Copa Ouro, que não é listada como competição A para o Brasil (a Seleção atuou como convidada).

 

A postura da Fifa parece estranha, mas tem os seus motivos. Ela impede que jogadores que já despontaram em seleções de base “troquem de país” com os quais não tenham raízes – como se o Catar pudesse buscar algum elenco que conquistou o Mundial Sub-20 para ser sua base para a Copa de 2022. Mas esta regra não fecha as portas a pessoas com dupla cidadania desde a juventude.

 

É o caso de Hassan Yebda, por exemplo. Nascido na França, o meio-campista foi campeão mundial sub-17 com os Bleus em 2001, mas tinha a nacionalidade argelina por conta de seus pais. Assim, pôde ser convocado pela Argélia a partir de 2009, disputando as duas últimas Copas do Mundo.

 

Ao anunciar a desistência da seleção brasileira, Rafinha não afirmou seu desejo de defender a Alemanha. Porém, seu nome vinha sendo especulado para o Nationalelf nas últimas semanas.

 

Philipp Lahm defendeu o chamado do companheiro de clube, enquanto o técnico Joachim Löw disse que “por enquanto, sua convocação não é cogitada”. Se foi esse mesmo o motivo da desistência do lateral, a aposta deu errado.

 

FONTE: TRIVELA


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