Em grave crise financeira, Paraná tem gás suspenso, salários atrasados e sede ameaçada

Em grave crise financeira que ameaça seu patrimônio, o Paraná vem tentando renascer aos poucos. E, entre atrasos salariais no futebol que atingiram nove meses, contas de gás sem pagar e processos trabalhistas que não param de chegar, o presidente Luiz Carlos Casagrande, o Casinha, vem tentando ao lado do grupo "Paranistas do Bem" resgatar o tradicional clube do fundo do poço.

"Quando assumi, tínhamos os meses de janeiro, fevereiro e março em atraso tanto no futebol quanto no social. Houve o pagamento do Carlos Werner com o mês de março para o futebol, para a base e o social. Bancou esses salários, era obrigação do grupo daquele momento. Pagamos abril e maio no social. A intenção é fazer acordo com os funcionários, pegar janeiro e fevereiro e da maneira que pagamos daqui para a frente pagamos uma procentagem desses lá de trás, para chegar no final da gestão e estar com todos os salários zerados. E o futebol vem se mantendo pelo grupo, conforme a promessa, até julho está em dia", explicou Casinha, em entrevista ao ESPN.com.br.

No futebol, tomam conta das finanças os "Paranistas do Bem", liderados pelo empresário do ramo de estruturas metálicas e torcedor tricolor Carlos Werner, um dos maiores investidores. 

Foi ele quem pagou nove meses de atrasos salariais nas categorias de base do próprio bolso e vem à frente do grupo que desembolsa cerca de R$ 400 mil mensais no departamento profissional e amador.

"Quando procuramos o Carlos, ele disse que queria trabalhar na base, pois gosta de revelar jogador e nunca tinha trabalhado com isso. Ele veio para bancar a base. Quando chegou tinha 99% com salários atrasados e ele pagou tudo, começou vida nova. Isso chamamos de paixão ao clube. Ele não tem jogador, não tem nada, tem paixão pela base", continuou Luiz Carlos Casagrande.

O maior problema do Paraná Clube, na atualidade, diz respeito ao lado social. O gás foi cortado após três meses de atrasos no pagamento junto à Compagás, o que deixou piscinas e banheiros sem água aquecida na sede da Avenida Presidente Kennedy, que conta com 35 mil metros quadrados de espaços esportivos, sociais e culturais, e é um dos maiores símbolos de uma das agremiações mais ricas em patrimônio do Brasil.

O chamado Parque Social e Recreativo Orestes Thá também enfrenta problemas de atrasos salariais com seus funcionários, como professores, monitores e seguranças. 

Na última reunião do conselho, a situação foi apontada como emergencial, inclusive com alguns mais radicais cogitando a hipótese de fechar e vender a sede, que está dificuldade para obtenção do alvará de renovação. Em entrevista ao jornal Gazeta do Povo, o presidente do conselho consultivo, Benedito Barboza, admitiu a hipótese, que ainda é negada por Casinha.

"Existe essa conversa de corredor, o que chamamos de rádio-peão. Conversamos na reunião do conselho e aí chega às redes sociais. Pedimos para as pessoas manterem o discutido em reuniões em sigilo. Aí fala que temos atrasos de pagamentos e já acham que temos que vender a sede. Mas para isso acontecer precisa ter assembleia de sócios, tem um longo caminho. Qual o sócio vai querer que venda esse patrimônio? Não tem nenhum", tranquilizou o presidente paranista.

"O único problema que temos é atraso salarial, mas é difícil. O funcionário trabalha e temos obrigação de pagar, mas o número de sócios não dá arrecadação suficiente para pagar todas as despesas, que são muito grandes. Algumas atividades sociais não estamos pagando e precisamos rever essas situações. Salários dos professores para que tenham tempo para trazer os sócios para praticar aquelas atividades e manter isso em dia. O fornecimento de gás foi suspenso, mas trabalhamos para que isso volte com o parcelamento da dívida junto à empresa, para que isso volte o mais rápido possível. É direito do sócio usar o que paga. O Paraná é o clube mais transparente do país, pois as coisas aqui são públicas e notórias", acrescentou o dirigente.

O presidente do Paraná pede o apoio do torcedor que ainda não é sócio do clube para livrar um dos principais times do Brasil de se livrar da crise que o assola há alguns anos.

"Temos que ter uma receita suficiente para pagar todos os nossos encargos e funcionários, fazendo prestações de serviço de qualidade e zelando pelo patrimônio. Senão o sócio também vem, vê o patrimônio lapidado e não quer mais ficar aqui. Temos que tomar esse cuidado, ir arrumando o que temos dentro da possibilidade do dinheiro e procurar um número maior de sócios para enfrentar esses problemas financeiros. Estamos trabalhando para conseguirmos trazer mais sócios, o máximo possível para dentro do Paraná", disse Luiz Carlos Casagrande.

"Quando não tem dinheiro, por mais que você planeje não consegue por em prática algumas coisas. Temos muita ação trabalhista, estamos fazendo um levantamento para ver de que forma vamos reduzir isso aí. Temos projetos para investidores estrangeiros, mas demanda tempo, estamos há quatro, cinco meses e temos projetos que buscam investidores fora do país que possam nos ajudar. Mesmo gente do Brasil que queira investir em clube de futebol. O que atrapalha? A lei, que ninguém pode ser dono de passe de jogador. Aquele cara que trazia o jogador e depois repassávamos o dinheiro não existe mais. Temos que criar jogador para depois vender", reclamou o cartola.

"O grupo está bancando, estão mantendo o futebol em dia e estamos tentando dar uma estruturada para em dois meses colocar o social em ordem. O trabalho que está sendo feito é para reestruturar. Houve uma mudança grande na folha do futebol, que está sendo mantida em dia. Já no social, o Paraná sempre foi rico de patrimônio. Tinha Tarumã, Boqueirão, Quatro Barras, Vila Capanema... É um patrimônio que é muito grande e aos poucos você não vai podendo cuidar a ponto de primeiro vender o patrimônio, depois Tarumã foi a leilão. E aí vem leilão da Vila Olímpica que por enquanto conseguimos reverter. E esperamos manter isso, pois por lei não é permitida a venda. O que se faltou aqui depois da fusão foi planejamento. Não teve, e a cada ano vencia título, festejava, até o pentacampeonato. Faço parte da fusão até agora, mas a verdade é essa, que tomou-se pouco cuidado de planejamento para que o clube não passasse pelo momento que passa hoje", finalizou o presidente do Paraná Clube.

FONTE: ESPN


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